Luiz Fernando
nao-somos-ilhasVivemos um dos piores momentos de isolamento na história da raça humana. Apesar de sermos quase 7.000.000.000 de pessoas habitando o planeta, nos vemos ilhados em nossos pequenos mundos, hermeticamente fechados para outros. Vários fatores contribuíram para tal isolamento, dentre eles encontramos o acelerado desenvolvido das diversas tecnologias de comunicações. Com o advento da televisão tivemos um êxodo das pessoas das praças e ruas, onde o convívio era regular e até certo ponto libertador para dentro de suas residências, aprisionadas diante de imagens e sons.

Com isso deixamos as ruas livres para que aumentassem o numero de assaltos e violências diversas. Mesmo dentro de casa assistindo a mesma televisão iniciou-se um processo de distanciamento. Com o aumento do poder aquisitivo das famílias, em cada quarto uma televisão passou a capturar o tempo e espaço das famílias. Na década de 80 tivemos aquilo que Alvin Tofller chamou de a Terceira Onda, a era dos chips. A informática invade empresas, escolas, lares e provoca outra avalanche de afastamento entre as pessoas. Agora, em muitos lares, seus participantes se comunicam através de e-mails, MSN, webcam etc. O tempo gasto diante do computador roubou momentos de comunhão e vida nos lares. Experimentamos uma geração com extrema dificuldade de relacionamento, que se expressa com péssima qualidade e com um grau de cultura que deixa a desejar. Todos voltados para si mesmos, senhores de seus pequenos mundos e frios em seus relacionamentos.

Por estarmos distantes uns dos outros, forjamos uma geração que percebe a vida como se ela tivesse iniciado agora. Perdeu-se o nexo histórico e os valores que nos trouxeram até aqui. Como o capitalismo impera então, os valores vividos atualmente seguem a lógica do mesmo. Consumo, prazer e um tremendo vazio de alma. Só que isto não alimenta o interior do homem por muito tempo. A vacuidade mostrará sua face negra a uma geração impotente para vencê-la. Temos um aumento assustador da Síndrome do Pânico no meio dos adolescentes, aumento da depressão nas mais diversas faixas etárias e uma insuficiência por parte da ciência para ajudar a libertar aqueles que estão presos em suas malhas.


Não somos ilhas autos suficientes. Não nos bastamos para nós mesmos. Precisamos urgentemente resgatar o senso de interdependência e atrairmos valores para nossas existências.


A igreja sente este impacto do isolamento e isso se percebe no nível de relacionamento entre seus membros. Cada um preocupado com seus problemas, angústias e saídas. Não nos preocupamos mais com nossos semelhantes a ponto de parar nosso ritmo frenético existencial e olharmos para o lado com as mãos estendidas. Como prestarmos culto a Deus se não conseguimos um nível mínimo de comunhão entre nós? O culto público, a reunião solene dos santos somente tem valor e significado dentro da vivência da fé em comunidade. Fé individualista e pessoal não cabe no culto solene. Ali importa mais sairmos de nossos casulos existenciais e nos estendermos para nosso irmão e cultuarmos Aquele que não existe em solidão eterna, mas sim em uma santa e vívida comunhão.


O mundo vive só. O mundo provoca a solidão. O mundo faz do homem uma ilha.


A Palavra de Deus nos chama a sairmos de nós mesmos e em amor encontrarmos nosso irmão. A Palavra diz em Efésios 5:19 “Falando entre vós em salmos, e hinos, e cânticos espirituais; cantando e salmodiando ao Senhor no vosso coração”, em Colossenses 3:16 “A palavra de Cristo habite em vós abundantemente, em toda a sabedoria, ensinando-vos e admoestando-vos uns aos outros, com salmos, hinos e cânticos espirituais, cantando ao Senhor com graça em vosso coração” e em Romanos 12:15 “Alegrai-vos com os que se alegram; e chorai com os que choram”.


São textos que apontam para o convívio, mutualidade e vivência.

Somos desafiados pela Palavra a vencermos o isolamento.


Soli Deo Gloria


Pr. Luiz Fernando R. de Souza

Ministério Força para Viver

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