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Igreja Adventista - A Igreja de Vidro 2ª parte
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TÓPICO: Igreja Adventista - A Igreja de Vidro 2ª parte
#3567
JF
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Igreja Adventista - A Igreja de Vidro 2ª parte 10 Meses atrás Popularidade: 1
Houve problema quanto à formatação face o tamanho do texto do e-book não ser dos menores, assim, incluo em mais duas partes o restante.

Continuação do cap. 15


Primeiramente, porque o crente, quase sempre simples, sincero e de boa fé, não percebe as intenções que estão por trás das palavras, e em segundo lugar, porque o encenador , como o prestigiador diante do público, está seguro de que
não corre qualquer risco. Ele sabe o que faz. Tudo obedece a condições pré-estabelecidas. O Departamento Jurídico da Associação Geral, ao contratar o Dr. Ramik para defender Ellen White, sabia o que estava fazendo.Sim, sabia o
que estava fazendo. A lógica o diz.

Vejamos:se o Dr. Ramik tivesse condenado a Srª.White, por fraude, o que faria a Igreja ? Daria ordem de despejo aos seus
escritos, isto é, abriria mão da sua “inspiração”? Não acredito que ela o fizesse, e não creio que possa alguém pensar diferentemente. Assim sendo, por que contratar um advogado? Para quê? Para mim, tudo isso não passa de uma farsa,
uma tentativa para continuar enganando os incautos. A Igreja, como o mágico esperto diante de uma platéia que se delicia em ver as mágicas, sabia o que estava fazendo quando contratou o advogado de defesa.
Quando se perguntou ao Dr.Johns se o relatório de 27 páginas do Dr. Ramik poria termo à questão, ele prontamente respondeu:
- Totalmente.
Agora sim, o assunto está definitivamente encerrado. Os leigos já podem dormir o sono da inocência. O Dr. Johns disse que “Ao utilizar-se de material literário de outros autores, a Srª.White agiu inteiramente dentro dos limites da lei”. Conclusão: a lei não a condenou. Logo, o que ela, seu marido e assistentes apanharam de outros escritores não tem a menor importância. È coisa corriqueira. E vive lê Roi !

Todas as evasivas são válidas. Até mesmo aquela que partiu de uma senhora adventista, dirigindo-se a mim:

- Esses escritores é que plagiaram a irmã White.

O ser humano, ao tomar conhecimento do mundo que o cerca, aprende com extrema facilidade, a enganar a dois tipos de pessoas: aos outros e a si mesmo.

Mas onde ele mais se esmera é em enganar a dois tipos de pessoas: aos outros e a si mesmo. Mas onde ele mais se esmera é em enganar a si mesmo. Neste caso, ele não precisa contar com a ignorância, a tolice e a boa fé da outra parte.

Basta a sua própria condição, que ele pode manipular a seu bel-prazer.

O “totalmente” que o leitor leu, linhas acima, partiu de um homem que está procurando enganar a si mesmo.

“A VERDADE DE NADA SE ENVERGONHA,
SENÃO DE ESTAR OCULTA” (Lope de Veja).

35/36/37/38



16. ISTO A IGREJA NÃO PODE DIZER NEM EXPLICAR


O Dr.Ramik concluiu pela inocência total de Ellen White. As leis americanas não a acusam de fraude de direitos autorais. Está tudo bem, e em casa.
Agora, leigos e assalariados podem ficar tranqüilos. Os fundamentos da Igreja continuarão firmes como nunca. Irremovíveis como o Pão-de-Açúcar. E ela continuará sua marcha vitoriosa. Conferencistas, mestres, ministros e professores de escolas de sabatinas continuarão a dizer, agora com mais ênfase do que nunca, que os escritos da Srª. White são tão inspirados quanto os da Bíblia Dt.18:21 e 22 não se aplica a ela.
Isto poderão dizer, e o que mais desejarem acrescentar. Mas por acaso, estarão s sensatos dispostos a aceitar essas patranhas? Não posso acreditar. Eu já estou sentindo as reações. Que falem as cartas que tenho recebido de adventistas, alguns deles preocupados e até angustiados com o estado de incerteza em que se encontram. São pessoas sinceras que querem explicações honestas, a todo custo. A estes eu tenho dito que explicações não, mas “explicações” têm sido fornecidas pelos órgãos publicitários da Igreja, notadamente pela Revista Adventista.

Eles, porém, ainda não conseguiram explicar porque o nome de Ellen White consta na capa de O Grande Conflito, como autora, quando é sabido que o livro foi preparado por James White, seu arido, que, por sua vez, plagiou, em grande parte, de Sylvester Bliss, Uriah Smith e J.N.Andrews. Igualmente , a Igreja não pode esclarecer quanto ao Dr.Ramik recebeu para dizer que Ellen White é inocente das acusações que lhe têm sido feitas.

A rigor, não é a Ellen White que os adventistas devem chamar de profeta e mensageira do Senhor, mas aqueles de quem os escritos a ela atribuídos forma subtraídos, cuja lista não é pequena. Isto posto, concluí-se que a Igreja, ao contratar um advogado para fazer a defesa da Srª.White (o que na realidade significa defender a própria igreja) não fez outra cosia senão investir no falso.

Todas essas questões, leitor, são fundamentais. Mas sobre elas a Igreja silencia, porque isto é o que lhe convém, acima de tudo. Agora, a solução aí está. Eles (o Dr.Ramik e os líderes) chegaram a bom termo.

O Dr.Ramik concluiu, falou e disse.

Francamente, irmão adventista, eu esperava que, dentro de toda essa conjuntura, a Igreja assumisse uma atitude de mais coerência e seriedade. Mas eu me decepcionei. E como me decepcionei !


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17. ELA NÃO MORREU

O ser humano é quase sempre muito sentimental. É por isso que ele, quando se refere a alguém que já morreu, o faz com visível respeito. Não importa que tipo de contribuição tenha legado para a humanidade. A tendência é levar as virtudes do falecido para um patamar elevado. Hitler, cerca de quarenta anos depois de sua morte, já não parece ser o incrível facínora que sempre foi.

Lampeão está sendo endeusado e respeitado. Possivelmente, estátuas serão levantadas em homenagem a Arafat, depois de sua morte. Quem já morreu é sempre melhor do que realmente foi. Não estou estabelecendo qualquer tipo de comparação entre Ellen White e aqueles. Os fatos são diferentes, como diferentes são as pessoas.O que quero destacar é que sempre há uma aureola de respeito em favor de quem já morreu.

E Ellen White não fugiria à regra geral. O seu prestígio como profetisa e mensageira do Senhor cresceu, depois de sua morte, como era de se esperar. Ela morreu, mas continua viva para milhares e milhares de adventistas do sétimo dia.
Engana-se aquele que pensa que a sua obra está agonizante. È ilusão pensar assim. Ela hoje, mais do que no século dezenove, tem seus incontáveis defensores, que precisam explorar seu nome, a fim de poderem sobreviver. Os seus promotores não podem permitir que os seus escritos morram.

Esses “puxadores” de palmas e cordões continuarão com a cortina levantada, para que os assistentes continuem distraídos com a imagem dela. O líder sabe que não é difícil manter a multidão a seu lado, quando ele diz coisas que gostam de ouvir. Os membros da Igreja continuarão a escutar o que apreciam ouvir. Não importa se o que Ellen White falou a respeito de diversos assuntos não se coaduna mais com a realidade dos nossos dias.

Não importam seus erros doutrinários, os seus plágios nem mesmo as profecias não cumpridas. Não importa sequer se a maioria não segue os seus conselhos sobre vestimenta, alimentação e outras questões.Muitos líderes religiosos existem apenas para que suas palavras sejam ouvidas.

Não precisam ser praticadas. O que mais as multidões apreciam é serem dirigidas.

Nem mesmo tem importância se o líder já morreu. Os animadores teológicos se encarregam de manter a tocha acesa, ainda que não se trate de fogo sagrado.

Só o homem que VÊ faz a diferença. Só o homem esclarecido percebe que ele mesmo é o próprio líder. E não Ellen White, Joseph Smith, Mary Baker Eddy ou outro qualquer. Para que quero um líder, ainda que religioso ? Para dizer o que devo fazer ? Isto não tem qualquer sentido. O mais elementar princípio de lógica me diz que somente eu devo responder pelas minhas próprias decisões.Eu é que preciso tomá-las, e não outros em meu lugar.

Adventistas e evangélicos têm acusado a Igreja de Roma de haver dificultado, de todas as formas, a leitura da Bíblia pelos seus fiéis, tornando-lhes difícil encontrar o caminho da salvação. A acusação é procedente. Mas os adventistas,
de igual modo, fazem da salvação alguma coisa bastante penosa, facilitada
apenas pela orientação dos escritos da Srª.White.

Não dizem eles que esses escritos são uma luz menor para nos ajudar a compreender a Luz Maior ?

Como pode uma luz menor favorecer a Luz Maior ? Pode o discípulo instruir o sábio que o assiste ? A Bíblia não precisa de muleta. Ela é toda auto-suficiente.

È com o auxílio dela mesma que a compreendemos. Há alguns “anjos” que se oferecem para ajudar. Mas creio que podemos perfeitamente dispensar a ajuda deles. Um é o Moroni do mormonismo, e o outro, o “anjo assistente” de Ellen White só a duras penas pode ser alcançada.

Meu amigo leitor, precisamos para de assumir atitudes tolas. O segredo está em libertarmo-nos do medo. Quando isto acontece deixamos de praticar as tolices. Não cometa o crime de permitir que a sua consciência se cauterize ! Não a
drible ! Não abone os erros de ninguém, nem mesmo os de Ellen White, ainda que isto possa custar-lhe a perda de alguma coisa ! O que conseguimos pelos caminhos do engano é de nenhum valor. Podemos perder. Devemos perder.

Em que pese serem as provas até agora apresentadas mais do que suficientes para justificar a perda daquilo que você encara como ganho, quero dizer-lhe alguma coisa mais, para sua consideração. Em 1867 Ellen White declarou:
“Embora eu seja tão dependente do Espírito do Senhor quando escrevo minhas visões como quando as recebo, as palavras que eu emprego para descrever o que vejo SÃO MINHAS” (o destaque é meu).

Mais tarde, em 1882, ela disse:

“Eu não escrevo um artigo no jornal, expressando meramente minhas próprias idéias. São elas o que Deus tem apresentado diante de mim em visão- os preciosos raios de luz brilhando do trono”.

Leitor adventista, permita-me, aqui, levantar uma pergunta tão dura como mais não poderia ser.

- Por que a Srª. White disse que as palavras eram sempre dela, quando na
Verdade e em grande escala, foram tomadas de outros autores por ela mesma,
pelo seu marido e ainda por uma dezena de assistentes ? Por que precisaria ela
dizer uma inverdade ?

Pode acontecer que você que me lê talvez não conheça este outro detalhe curioso e decepcionante na vida da Srª.White. Em 1898 ela escreveu um artigo que foi publicado em Review and Herald, onde se podia ler:

“Nas visões da noite, ministros e obreiros pareciam estar em uma reunião onde as lições da Bíblia estavam sendo ministradas. Nós dissemos: “Temos o Grande Professor conosco hoje´, e escutamos com grande interesse as suas
palavras. Ele disse...”.

O que foi que Ele (o Senhor) disse ? Nada, leitor. O Senhor não disse nada pela boca de Ellen White. A maior parte do que ela escreveu e publicou no referido artigo, naquela oportunidade, foi extraída de The Great Teacher ( O Grande Professor) de John Harris. È inacreditável que ela tenha usado as palavras, pensamentos e idéias de John Harris e os tenha atribuído ao
Espírito de Deus. O que a levou a praticar tamanha leviandade ? Por que disse que havia recebido a mensagem em visão, quando a maior parte do artigo havia sido copiada de O Grande Professor ? Por quê ? Para mim, melhor do que fazer qualquer especulação é dizer: não sei.

Eis aí, leitor, a senhora que continua viva em sua mente, participando de sua vida, influenciando-o, às vezes, em suas decisões. Não, ela nunca foi uma mensageira do Senhor no sentido que se costuma imprimir ao termo. Seus plágios, suas profecias que se não cumpriram, seus erros doutrinários, seus equívocos relacionados com acontecimentos bíblicos, suas constantes mudanças de posição teológica, suas visões plagiadas, seus testemunhos irreais dirigidas, em nome de Deus, aos que, de alguma forma, discordavam dela, não a credenciam como profetisa e mensageira do Senhor.

Não importa que ela tenha sido boa mãe e boa esposa. Esta condição é necessária, mas não suficiente. Ninguém é profeta sem o chamamento divino.

E decididamente Deus não chamou Ellen White para esse tipo de missão.

E por não ser profetisa e haver estabelecido bases frágeis para a Igreja que surgia em 1844, é que ela agora está em dificuldades, como em dificuldade está também o movimento que ela ajudou a fundar.Sem dúvida alguma, as vidraças da igreja não estão intactas. Já podemos ver as impurezas do seu interior. Apesar de tudo, Ellen White continuará vivendo a vida de leigos e assalariados. Só um milagre poderá alterar a situação.

Mas quanto a você que me lê, irmão adventista, se as suas atitudes forem pautadas pelo bom senso, restar-lhe-á uma coisa: libertar-se do engano e não permitir que pessoa alguma imponha o nome de quem quer que seja para ocupar, em sua vida, o lugar só reservado para Cristo. Por que continuará cometendo tamanha agressão contra você mesmo ?


“PROCURA CONVIVER ENTRE PESSOAS
QUE TE ENSINEM O CAMINHO ENTRE
AS ESTRELAS, PORÉM,, QUANDO ENCONTRARES A LUZ,
NÃO A NEGUES AOS QUE FICARAM NAS TREVAS”(W.A.Peterson).


40/41/42



18. OS “INIMIGOS” DA VERDADE


Seria necessário que Ellen White fosse muito ingênua para não perceber que chegaria o dia em que os seus equívocos transporiam as fronteiras guarnecidas pelos seus fiéis defensores. Ela não era inteligente. Se o fosse não precisaria
plagiar para produzir literatura. Mas era sagaz. E porque o era em exagero, acabou sendo prisioneira do próprio laço que armou para os outros. O engano foi denunciado por alguns homens decentes do seu tempo. Mas estes não hegaram a estabelecer uma mudança de rumos. Eles eram poucos, enquanto que os outros eram incontáveis. E porque eram incontáveis, a igreja continuaria, por muitos anos, com as vidraças intactas. Mas agora, parte da verdade acerca da Srª. White está aflorando. Digo que não é toda a verdade, porque o restante, o que falta, está guardado debaixo de sete chaves no White Estate, em Washington. D.C.

Ninguém pode, ninguém “precisa” tomar conhecimento do resto. Ainda bem que estas páginas, chegando até você, estão ajudando-o a tomar ciência de alguns fatos que, de outra forma, não chegariam ao seu conhecimento.

Ellen White e seu marido James eram sagazes. A prova disto é que eles, olhando à distância, como quem vê o futuro, perceberam que nem tudo são flores durante todo o tempo. Um dia elas poderiam murchar. Por isso, era necessário uma saída estratégica para remediar o que pudesse acontecer em tempos do futuro longíquo. Qual a solução encontrada ? Nada mais, nada menos do que acusar de “inimigos”da verdade, todos os que viessem um dia a discordar dos seus escritos ou que contra ela tivessem a petulância de protestar.

A lição foi bem aprendida, até mesmo pelos membros leigos. E hoje, quando alguém tem a coragem de erguer a voz contra os erros doutrinários da Igreja é logo penalizado de todas as formas. Primeiramente, procede-se a um rosário de lamentações, seguido de fervorosas orações. Mas se o “rebelde” não retorna ao seio da comunidade, lança-se o veredicto final, mais ou menos nestes termos:

“A irmã White já profetizou sobre os que deixarão as nossas fileiras. Torna-se-ão os nossos maiores inimigos.”

O que acontece hoje era fato comum no tempo de Ellen White. Veja o que disse Uriah Smith, em um momento de desabafo e coragem:

“A idéia que tem sido cuidadosamente instilada na mente do povo é que questionar as visões é no mínimo tornar-se um apóstata rebelde e sem esperança; e também muitos (sinto muito em dize-lo) não têm força de caráter suficiente para se livrarem deste conceito; a partir do momento em que faz qualquer coisa para abalar a fé nas visões, eles perdem a fé em tudo e vão para a destruição” (Smith to Canright, 06.04.1884).

Enquanto isso, pessoas sinceras estão esfregando os olhos com as mãos, dando os primeiros sinais de estarem acordando para o verdadeiro significado da vida. Oxalá essa obra de libertação não pare ! Antes aconteça em todo recanto, por menor que seja, onde esteja um adventista do sétimo dia.

A luz está chegando para muitos. E você leitor adventista, não pode, por mais tempo, deixar-se enganar por mestres equivocados, muitos deles conscientes da posição atravessada que estão assumindo. A Igreja Adventista do Sétimo Dia e Ellen White prosseguirão juntas, apesar dos métodos, dos processos e da fraude. Os colaboradores de Ellen White
continuarão a dizer que ela é a maravilhosa mensageira dos tempos modernos, comissionada pelo Céu para ensinar o povo a entender a Bíblia. Mas você só acredita nisto se quizer. E se for tolo.

Agora, a Igreja está em crise. Crise que se avoluma. As vidraças começam a se partir, o que me permitiu mostrar ao leitor uma parte do seu interior, a sua outra face. Provavelmente você a desconhecia.Você é, com certeza, um dos poucos adventistas a ler e examinar esses depoimento. Muitos não o farão. Uns, por desinteresse; outros, por medo.
Ainda assim, eu estou satisfeito, pois melhor é uma verdade aceita por poucos
do que uma mentira acalentada por muitos.

Disse que a Igreja está em crise. E está. Os acontecimentos dos últimos dois anos têm deixado a liderança extremamente preocupada. Nos Estados Unidos a crise atinge proporções inquietadora. O New York Times de 06.11.82
publicou, com destaque, um artigo com este título: “7th-Day Adventists Face Change and Dissent”. Note alguns tópicos inseridos nele:

“Mais de 100 ministros já se demitiram da Igreja, ou têm sido forçados a fazê-lo.”
“As publicações da Igreja refletem a crise em cada etapa”.
“O foco do fermento dos adventistas é a Universidade de Andrews.”
“Vários incidentes nos dois últimos anos têm provocado o aparecimeto de tensões e abaixamento da moral.”
“Evangélica, uma revista não oficial, que foi fundada na Andrews, há dois anos, como a voz do protesto, promove o mais estridente ataque á Igreja.”
A Igreja, nestes dias atuais, está passando por “maus-bocados”. Mas ainda assim, podemos dizer, à maneira francesa: A quelque chose malheur est bon.

Sempre que há infortúnio, alguma coisa boa sobra do meio dos escombros.

Ás vezes a crise é necessária, a fim de que alguns possam tornar-se mais receptivos à luz da verdade.

“NÃO IMPORTA QUANTOS PASSOS VOCÊ DEU
PARA TRÁS. IMPORTA QUANTOS PASSOS VOCÊ
VAI DAR PARA A FRENTE” (Décio Melhem).

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19. O VÉU, O GRANDE EMPECILHO


Sob este título, transcrevo aqui,com
permissão do autor, o EPÍLOGO do
do livro THE WHITE LIE.


A história de Cristo não termina na Cruz. Vai direto para a Ressurreição e a nova vida. Ela dá sentido à vida diária e esperança após a sepultura. Para o indivíduo e para a instituição igualmente, isto significa BOAS-NOVAS, não para um futuro distante, mas para o aqui e o agora.

Se Deus tinha um plano para Ellen White, este era o mesmo plano que Ele tem para todos nós, -que durante a nossa existência podemos ser os vasos do Evangelho e início de nova experiência em Jesus Cristo, e que podemos ser
instrumentos para outros. Esta era a verdadeira inspiração e revelação de Deus para Ellen White.

É uma fascinante história que a Igreja Adventista ganhou a existência e ênfase a partir da fé no Segundo Advento trazido pelos proponentes mileritas. as o adventismo igualmente sucumbiu com a mesma doutrina. Sem o cumprimento do advento que haviam predito, eles se voltaram para dentro de si mesmos e se concentraram em sua própria experiência. Em vez de colocarem em primeiro lugar um novo nascimento espiritual para a sua vida diária, eles colocaram Ellen White na frente como um véu entre eles e Deus, entre eles e uma experiência de renovação espiritual.

Entre os tempos do Novo e Velho Testamentos permanecia a Cruz. O véu que ocultou a Cruz dos olhos e coração da nação judaica foi seu sistema de sacrifícios, exigências e obras. Seu sistema conservou-os com as costas inclinadas e as cabeças abaixadas, de modo que não podiam ver a Deus através de Seu Filho. Seus sistema de leis, teorias e axiomas tinham escravizado o corpo, a mente e a alma. Seus líderes eram mais importantes do que a verdade
do Evangelho de Cristo.

Enquanto os sacerdotes do sistema apegavam-se ao pai Abraão, negavam ao povo o acesso ao verdadeiro Pai de todos.
Um sistema torna-se obsoleto quando ele interpõe um véu de salvação pelas obras, através de algum intermediário, entre o homem necessitado e Deus. Esse véu impede-lhe a comunicação direta.

A mesma coisa aconteceu com a Igreja Adventista. Cristo não veio em 1844. Mas o grupo expectante não foi capaz de confessar o erro, o começo de todos os começos. Enganos foram chamados de “erros de cálculo”. Extremismos
eram rotulados de zelo. Os escritos de Ellen White tornaram-se “a palavra de Deus”. Assim, ela se tornou o véu que escondeu Cristo do povo. Tivessem os dministradores, os clérigos e os homens de negócio do sistema passado para
além do véu que eles próprios criaram (Ellen White), poderiam seguramente ter encontrado o Cristo que eles professavam estar procurando.

Em tempos passados, Deus havia removido o véu do velho serviço e abolido todo o sistema de sacrifício. A remoção foi logo estabelecida pelos sacerdotes para que pudessem continuar seu controle sobre o povo que eles representavam. A fumaça dos seus sacrifícios continuou a subir vagarosa e desordenadamente através do céu. De acordo com um autor: “E ainda o sumo-sacerdote entrava no Santíssimo uma vez cada ano e salpicava o sangue sobre o trono da graça. O sangue, no entanto, apelava para Deus, em vão.

Agora Cristo, nosso cordeiro pascal foi sacrificado por nós ( I Co 5:7).

Finalmente, Deus, em justa cólera, acabou com o velho sistema, na destruição de Jerusalém por Tito, quando o templo foi incendiado, e os sacrifícios judaicos foram para sempre abandonados”.

Pode-se esperar, no entanto, que os administradores e homens de negócio do sistema adventista do sétimo dia aprenderão a lição do passado, que eles serão solícitos em juntar o povo, passando para além do véu de Ellen White. Se eles tiverem a coragem de fazer isto, podem ainda encontrar o Cristo que escapou aos mileritas, e cuja demora tanto atormentou os fiéis do prematura advento.

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SEGUNDA PARTE

20. INTRODUÇÃO À SEGUNDA PARTE


Como tem acontecido com relação aos leitores adventistas, de idêntica forma, um razoável contingente de cartas tem chegado às minhas mãos da parte de evangélicos: ministros, missionários e leigos em geral.

Evangélicos há que querem a razão por que dificilmente um crente adventista é removido dos seus propósitos doutrinários, enquanto que o êxodo de protestantes para o lado de lá é geralmente acentuado. O Sr.P.R. da Silva, da Grande São Paulo, me faz esta pergunta:

Como conseguiu deixar a Igreja Adventista, coisa difícil de acontecer ?

É preciso que eu diga aos irmãos evangélicos que o povo adventista tem qualidade que jamais poderemos ocultar, ainda que queiramos. Eles são ordeiros, amigos entre si, geralmente corretos em sua transações comerciais, avessos ao jogo e a vício. São temperantes, apesar de alguns exageros. São bons cidadãos, pacatos e respeitadores. E muitos de seus ministros e obreiros evam uma vida de trabalho e abnegação em função daquilo que crêem. É natural que uma situação, assim reinante estabeleça um clima de fixação do crente em sua comunidade. Estes, todavia, não são os elementos decisivos para
essa permanência. Fatores outros há que contribuem, de maneira marcante, para esse estado de coisas.

Especialmente algumas interpretações muito curiosas tiradas de certos trechos bíblicos determinam, de forma concreta, os parâmetros desse establishment duradouro. Na maioria dos casos, se não na sua totalidade, tais interpretações foram fruto dos cérebros dos pioneiros,, notadamente James White, sua esposa e Uriah Smith. Mas foram especialmente James e sua mulher (uma senhora cuja a saúde mental fora posta em dúvida até mesmo por autoridades médicas), que traçarm as norma básicas para o florescimento do movimento religioso que dava os seus passos decisivos, a partir de 1844. Era a Igreja Adventista que surgia.

Um movimento que hoje conta com cerca de três milhões de adeptos em todo o mundo. Os homens do adventismo sempre se mostraram extremamente cautelosos e sagazes. Eles, como ninguém, sabem como arrebanhar almas para o seu lado.
São especialistas em ganhar os que já são cristianizados. E, o que é mais importante, conhecem o segredo que determina a fixação do fiel na comunidade. Os processos que usam não me parecem corretos, já que são baseados, principalmente, em interpretações irreais de certos textos bíblicos.

Esta segunda parte do volume procura mostrar esta outra faceta da igreja de
vidro.

Os adventistas dispõem de um considerável número de homens treinados para realizarem séries de conferências públicas em cidades adredemente escolhidas e preparadas para esse tipo de evangelismo. Ninguém, melhor do que eles, sabe penetrar nos corações sinceros de jovens, homens e mulheres. Essas reuniões públicas são a arma mais poderosa de que se utilizam para encher seus templos nos dias atuais. Dispõe de bons oradores. Nas conferências que realizam, as primeiras palestras giram em torno dos maléficos do fumo e do álcool. Em seguida, abordam temas sobre saúde, igienismo, namoro, noivado, casamento e felicidade conjugal. Estes últimos temas visam impressionar a juventude. Mas tudo isso é apenas a isca para
chegarem à meta desejada, que é a exaltação da Lei e de Ellen White, o que fazem no momento psicológico. E isto é justo o que nos deixa contristados. No final das reuniões, que geralmente duram vários meses, conseguem arrebanhar para o lado deles um bom número de católicos e evangélicos. Dificilmente conseguem conquistar um jeovista ou um mormonista, já que
estes são treinados para não caírem em armadilhas teológicas.

Jeovistas e Mormonistas simplesmente não vão a essas reuniões. O mesmo não acontece com evangélicos, que se deixam apanhar com relativa facilidade.

Esporadicamente os adventistas conseguem alcançar um espirita, o que é
bom, pois a mudança é, apesar de tudo, vantajosa.Uma vez conquistado o evangélico, começa o seu trabalho de fixação na nova igreja . E como isto é feito está, em parte, relatado nos capítulos desta segunda parte.

Os ministros protestantes só ganharam em organização e experiência se, de quando em vez, assistissem a essas conferências. Só que naturalmente, devem ter cuidado de não baixar a guarda, sob pena de também correrem o mesmo
risco, a que é submetido o leigo de sua igreja.

É conveniente anotar, aqui, que os conferencistas da Lei dizem que usam esse processo “cauteloso” para seguirem o exemplo de Paulo, que se fazia de judeu para ganhar os judeus e de gentios. A diferença porém , é que o apóstolo
apresentava as Escrituras na sua verdadeira dimensão. Sem desfiguração.

“É POSSÍVEL ENGANAR PARTE DO POVO, TODO TEMPO;
É POSSÍVEL ENGANAR PARTE DO TEMPO, TODO POVO;
JAMAIS SE ENGANARÁ TODO POVO, TODO TEMPO.”
(Abraão Lincoln).

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21. AS SETE IGREJAS DO APOCALIPSE COMO ARMA

O acentuado gosto pelas datas

Os adventistas , desde os seus primórdios, sempre demonstram aprimorado gosto pelas datas. Brincam com elas até mesmo em se tratando de assuntos sérios como os que se relacionam com temas proféticos. Tem sido assim desde
a quarta década do século dezenove, quando marcaram sucessivas datas para a volta de Cristo à Terra.

Aqui também, nas mensagens enviadas a igrejas da Ásia, encontraram um jeito todo especial para incluir as indispensáveis datas. Por quê ? Para quê ? Você conhecerá as intenções no decorrer deste capítulo.

As setes carta que, de Patmos, S.João escreveu, foram dirigidas às igrejas de Èfeso, Esmirra, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodicéia.
Lendo-as com cuidado, é fácil selecionar esses detalhes:

1) Cada carta contém uma promessa ao vencedor.
2) As Igrejas em Èfeso, Pérgamo e Tiatira receberam elogios e reprovações.
3) A carta à igreja de Sardes contém várias reprovações.
4) As igrejas de Esmirna e Filadelfia foram as únicas que não receberam qualquer repreensão.
5) À igreja de Laodicéia não fez Cristo um só elogio. Há, por outro lado, reprovações e conselhos.
As cartas de João foram, como dissemos, dirigidas a igrejas da Ásia. Não parecem ter, como querem alguns, nenhuma relação com períodos de tempo definidos da História. O conteúdo delas não autoriza qualquer tipo de interpretação nesse sentido. Os adventistas, todavia, não querem que assim Seja. E como eles gostam muitos de datas proféticas, o que fazem muito abusivamente, fato que se verifica desde as suas origens, chegaram a organizar o arbitrário esquema abaixo:

a) Carta à igreja de Éfeso: corresponde ao período de tempo que vai da Ressureição ao ano 100
b) Carta à igreja de Esmirra: do ano de 100 até 323.
c) Carta à igreja de Pérgamo: do ano de 323 até 538.
d) Carta à igreja de Tiatira: do ano de 538 até 1798.
e) Carta à igreja de Sardes: de 1798 até 1833.
f) Carta à igreja de Filadélfia: de 1833 até 1844.
g) Carta à igreja de Laodicéia: de 1844 em diante.

Trata-se de uma esquematização adaptada para um fim específico, como veremos. A rigor, eu não precisaria juntar, como farei, alguns fatos que comprovam que as setes mensagens de João são realmente cartas dirigidas a igrejas da Ásia, e nunca períodos de tempo determinados por datas escolhidas de maneira mais ou menos arbitrária. Necessitaria alguém provar que João, ao escrever as sete cartas a igrejas da Àsia, tinha essa intenção, se ele já o disse ?

A linguagem de identificação que ele usa é clara:

“Ao anjo da igreja que está EM ÉFESO. Ao anjo da igreja que está EM FILADÉLFIA.”

Os que defendem a hipótese (pois trata-se apenas disto mesmo) de períodos de tempos definidos, é que devem apresentar as provas, e não outros. Eles nunca o fizeram convincentemente. Limitam-se a dizer coisas deste naipe:

“Uma florescente igreja cristã foi fundada por Paulo em Èfeso, e João ali viveu e ensinou algum tempo. A carta de Cristo dirigida ´ao anjo da igreja que está em Éfeso´, porém, não se relaciona com a igreja da cidade de Éfeso, mas como vimos, com o primeiro período da igreja cristã, a igreja apostólica, que se estendeu desde o ano 31 até o ano 100, ao morrer João, a última testemunha pessoal de Jesus” (A Verdade Sobre as Profecias do Apocalipse, página 49, edição de 1959, do ministro adventista Araceli S. Melo).

No mesmo livro, à página 103, encontramos esta outra citação, de idêntico feitio:

“... a carta apocalítica dirigida à igreja de Laodicéia não tem que ver com aquela igreja, antes assinala a sétima e última etapa da igreja cristã que, tendo seu início em 1844, irá até ao fim ou até à segunda vinda de Cristo em poder e glória.”
São as cartas períodos de tempo ?

Para os adventistas, as cartas não significam nada mais além de períodos da igreja cristã ao longo do tempo. E nós, o que diremos ? Podemos, sem dúvida, alinhavar vários argumentos que irão de encontro ao desejo daqueles para quem as cartas representam apenas períodos de tempo:

1) O próprio endereçamento das cartas é fato elucidativo:
“Ao anjo da igreja que está EM...O que vês escreve em livro e MANDA às
setes igrejas: Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodicéia”
(Apc.2:1,8,12,1; Apc.3:1,714 e Apc.1:11).
2) Consideremos a carta à igreja de Pérgamo, onde lemos:
“Conheço o lugar em que habitas, onde está o trono de Satanás, e que conservas o Meu nome, e não negaste a Minha fé, ainda nos dias de Antipas, Minha testemunha, Meu fiel, o qual foi morto entre vós, onde Santanás habita.”
(Apc.2:13).

Pérgamo se destacou entre outras cidades da Ásia pelos seus templos pagãos, alguns deles erigidos em homenagem a imperadores romanos. Esculápio, o “deus serpente” era ali adorado com destaque e fanatismo. Daí São João dizer que em Pérgamo estava o trono de Satanás. Se a carta a Pérgamo significasse simplesmente um período de tempo, não teria qualquer sentido o pronunciamento do Apóstolo como mencionado linhas acima. O trono de Satanás, ainda que de maneira simbólica, não poderia situar-se só no tempo, e sim em algum lugar no decurso de certo lapso de tempo. Mas a Igreja
Adventista, firmada numa interpretação fantasiosa e autoconveniente, diz que João, ao afirmar que o trono de Satanás estava em Pérgamo, desejou mencionar outra coisa bem diferente. Quis dizer que o trono do mal estava em Roma,
pensamento que poderá ser levado a sério por pessoas independentes. Se a carta à Igreja de Pérgamo não dizia respeito à igreja ali existente ao tempo do apóstolo João, e sim ao período que vai de 323 até 538, como aceitar a idéia
caolha que o trono de Satanás se situaria em Roma, durante esse tempo, se a própria Igreja admite que Roma só se estabeleceu, definitivamente, como poder eclesiástico e temporal, a partir de 538 ? Os fatos nos levam a crer que a carta à
igreja de Pérgamo não tem qualquer relação com período de tempo ao longo da História.

A carta a Pérgamo é o que de fato ela é: uma carta à igreja que estava em Pérgamo. E assim é com as demais.

3) Falemos, agora, de Antipas, nome mencionado na carta à mesma igreja.

Hengstemberg e outros teólogos pensam tratar-se de um nome simbólico.Outros acham que Antipas foi um personagem real que viveu em Pérgamo e morreu vítima de perseguições anti-cristãs. Entre uma opinião e outra, parece-me ser mais razoável acatar esta última, por ser mais condizente com o própriorelato. Nestas condições, resta-nos raciocinar assim: se Antipas viveu no tempo em que a carta foi dirigida a Pérgamo, como pode ela representar o tempo decorrido entre os anos 323 e 538, mais de duzentos anos depois ?

4) Demoremo-nos, em seguida, na mensagem à carta enviada à igreja de Esmirra, onde lemos:

“Conheço a tua tribulação, a tua pobreza, mas tu és rico, e a blasfêmia dos que a si mesmos SE DECLARAM JUDEUS, E NÃO SÃO, sendo antes sinagoga de Satanás” (Apc. 2:9).

Os judeus aos quais São João se refere o eram de nascimento, e não apenas espiritualmente. Segundo vários comentaristas, entre os quais Jamieson e David Brown, em Esmirra os judeus se opuseram decididamente ao cristianismo. Juntaram-se aos pagãos na morte de Policarpo, fazendo o possível para que fosse lançado aos leões. Não o conseguindo, eles mesmos, com as próprias mãos, colocaram lenha na fogueira para que fosse queimado vivo.

Perceba, leitor, que na carta à igreja de Filadélfia, que os adventistas dizem representar o período que vai de 1833 até 1844, há igualmente e referência aos que “SE DECLARAM JUDEUS, E NÃO O SÃO.” Muito bem. É o caso de se
perguntar:

Lá pelos primórdios do século dezenove havia ainda nas igrejas cristãs aqueles problemas decorrentes de conversão de judeus ao cristianismo ? É claro que não são. Essas dificuldades não chegaram a ultrapassar o século terceiro, dissipando-se com o tempo, o que vem demonstrar que a questão dos judeus mencionada nas cartas às igrejas de Esmirra e Filadélfia era puramente regional. Dizia respeito a problemas locais nas referidas igrejas. Mas para se saírem dessa dificuldade, algumas pessoas de imaginação fértil têm sua própria explicação:

“Não se trata a profecia aqui de judeus segundo a carne, ou a nacionalidade”
A Verdade Sobre as Profecias do Apocalipse, página 100).

Quando há falta de seriedade, há sempre um jeito especial para iludir.

5) Ligue-se bem, leitor, ao que vou acrescentar-lhe agora. Segundo consta da literatura adventista, a carta à igreja de Éfeso abrange o período de 31 até o ano 100 depois de Cristo, e a de Filadélfia corresponde ao espaço de tempo tão bem distanciados um do outro. O primeiro situa-se no século um, e o segundo, no século dezenove. A seguir, com o pensamento voltado para o tempo, pense que Cristo repreendeu a igreja de Éfeso, enquanto que elogiou a de Filadélfia.

Veja bem: se as cartas significassem períodos de tempo, como desejam alguns, então teríamos de admitir que a igreja cristã estaria em situação melhor, do ponto de vista espiritual, no século dezenove do que no século um, o que seria um absurdo insuportável. Ninguém, de sã consciência, oncordará que tenha havido menos cristianismo prático na era apostólica do
que no século dezenove, já perto dos nossos dias. Sim, porque na época dos apóstolos o cristianismo exalava todo o seu perfume. E a sua pureza era contagiante. Com o passar dos anos, os sutis enganos foram, devagar, ufocando a religião pura. O mal foi tomando corpo, gradativamente, até, que nos dias atuais, o que temos é um cristianismo pobre, sem colírio e sem
vestimentas brancas. Se lhe retirarmos o véu, veremos apenas o cristianismo cambaleante entre erros e acertos. È o que sobrou depois de quase vinte séculos.

O tipo e o antítipo.

Passemos, agora, para outro ponto igualmente importante. É a preocupação da Igreja em pintar o movimento adventista com as cores da carta aos laodicenses. Era de toda conveniência que a carta à Igreja de Laodicéia fosse o tipo da Igreja Adventista. As características desta precisariam estar evidenciadas na última das cartas, na ordem cronológica das mesmas. E o objetivo desse arranjo tendencioso não é outro senão estabelecer na mente do adepto a idéia obtusa de que a Igreja Adventista é a última como período, profeticamente falando. E se é a última é também a única que cumpre rigorosamente a profecia. Esta ladainha é afirmada tão a miúdo, tantas vezes, que acaba soando aos ouvidos e sendo gravada na mente como a mais ublime das verdades.

É como se fôssemos submetidos a uma lavagem cerebral, à moda das ditaduras de esquerda. E o que acontece ? Justo o que é de se esperar. A vítima torna-se, com o tempo, tão submissa e medrosa que, quando detecta algum desajuste doutrinário, ou alguma falha administrativa na Igreja, reage, automaticamente assim:

Há coisas que não estão certas, mas tenho que aceita-las assim mesmo. Esta é a igreja da profecia. È a igreja de Deus. È a sétima, e não há outra depois dela. É a última. Não tenho para onde ir.

Afirmações deste teor fiz algumas vezes, até o dia em que achei força para espanar da minha mente toda poeira que embotava e obstruía. Muitos têm assumido atitude semelhante, sem, no entanto, encontrarem a via de escape, o que não é nada fácil, pois a catequese é muito bem arranjada para que possam livrar-se facilmente dela.

Como disse acima, buscou-se uma maneira de identificar as características da carta aos laodicences com as da Igreja. E assim, em benefício próprio, exploram alguns textos da sétima carta, como veremos nos tópicos seguintes. Enquanto isso, o crente simples e sincero é lesado em seus propósitos e na sua consciência. E tudo é feito em nome de Deus e dos
anjos.

A mornidão da Igreja Adventista

Bate-se sempre na mesma tecla: Laodicéia é o tipo. O adventismo é o antítipo. O tipo caracteriza-se pela mornidão. O antítipo é igualmente morno. Para identificarem o parentesco, utilizam-se de Apc. 3:15 e 16:

“Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente. Quem dera fosses frio ou quente ! Assim, porque és morno, e nem és quente nem frio, estou a ponto de vomitar-te da Minha boca.”

Este é um ponto bastante visado pelos adventistas, principalmente em seus sermões. Costumam dizer que a Igreja está passando por um período de ornidão acentuada, quase crônica. Mas, no fundo, não é bem isto o que pensam, pois há entre eles um número razoavelmente grande de adeptos ativos, que trabalham até a fadiga. Há também ministros abnegados. Os
relatórios comprovam que a Igreja, em matéria de conquista de almas, ocupa um lugar de destaque. Diante destes fatos, é impossível estabelecer qualquer ligação ou relação entre o que o apóstolo São João diz e a suposta situação de mornidão da Igreja. Diga-se aliás, para completar, que são justo as denominações que mais vivência têm com o engano doutrinário (como o mormonisno, o jeovismo e o adventismo) as que se esmeram no trabalho missionário. É uma espécie de compensação.

A linguagem usada pelo vidente de Patmos, quando emprega os termos “morno”, “frio” e “quente” tem propósito, e faz alusão aos famosos mananciais de águas frias e quentes que existiam em Laodicéia. A ilustração casava muito bem com o estado de tibieza espiritual dos cristãos laodicenses, não se relacionando, nem de leve, com o comportamento espiritual da igreja Adventista do Sétimo Dia.

A riqueza da Igreja

Examinemos Apc. 3:17:

“Pois dizes: Estou rico e abastado, e não preciso de coisa alguma, e nem sabes que tu és infeliz, sim, miserável, pobre, cego e nu.”

Cabe aqui dizer, a título de um melhor esclarecimento, que a cidade de Laodicéia ostentava uma posição de destaque na Ásia, no tocante à suas riquezas materiais. Basta dizer que, tendo sido a cidade arrazada por um terremoto no ano 62 depois de Cristo, fora reconstruída pelos seus próprios cidadãos, sem qualquer ajuda oficial. A riqueza, proveniente principalmente
da comercialização de tecidos de lã, de excelente qualidade, levou os laodicenses a um estado de indiferença espiritual de tamanha grandeza, que só o amor (ouro refinado no fogo), a sabedoria divina (colírio) e a justiça de Cristo (vestiduras brancas) poderiam, juntos, reconduzi-los ao estado de equilíbrio.

Torna-se fácil constatar que as riquezas de que os laodicenses se gloriavam eram espirituais. Sua auto-suficiência, porém, era alimentada pelas posses mundanas. A justiça própria é um estado de espírito comum na vida daquele que se encontra em abastança e não sente necessidade de coisa alguma. Assim era a situação dos laodicenses.

Agora, tratemos de colocar as coisas nos seus devidos lugares. Os adventistas se consideram infalíveis em matéria de doutrina. Propalam, sem nenhuma cerimônia, que são os donos da verdade. Aplicam a si mesmos, com a altivez que lhes és inerante, as palavras:

“Estou rico e abastado, e não preciso de coisa alguma” (verso 17)

Esquecem-se, entretanto, que os laodicenses, ao se pronunciarem assim, estavam simplesmente mentindo, pois na realidade eram “pobres”, e não ricos.

Eram ainda miseráveis, infelizes, cegos e estavam nus. Ora, se a Igreja pleiteia para si as cores da carta aos Laodicenses, então forçoso é admitir que ela, ao se declarar auto-suficiente na questão doutrinária, está se considerando rica e abastada, quando na realidade é pobre, miserável, cega e nua.

O conselho divino

“Aconselho-te que de Mim compres ouro refinado pelo fogo para te enriqueceres, vestiduras brancas para te vestires, a fim de que não seja manifesta a vergonha da tua nudez, e colírio para ungires os teus olhos, a fim de que vejas” (Apc.3:18).
De conformidade com a descrição acima, a igreja de Laodicéia estava carente de “ouro refinado pelo fogo”, que é o amor pelo qual devemos estar unidos uns aos outros. Esse ,mesmo amor que, aliado à fé, foi tão fartamente ensinado pelo apóstolo São João e manifestado em sua própria vida. A mesma igreja necessitava de “vestiduras brancas”, símbolo da justiça de Cristo. Finalmente um terceiro ingrediente espiritual estava faltando à igreja de Laodicéia: o colírio para os olhos, que é a sabedoria que vem do alto para iluminação da consciência.

É de supor que lá por volta do ano 100, ou mesmo antes, a igreja de Laodicéia estivesse recebendo forte influência do legalismo judaico, bem como ensinamentos de falsos doutores, visando harmonizar certas especulações filosóficas, vigentes na época, com os princípios do cristianismo, à maneira do que vinha acontecendo com a igreja de Colossos.

Neste particular, a situação das duas igrejas era praticamente a mesma. E isto se torna mais do que evidente, quando se sabe que Paulo recomendou que sua carta enviada aos colossenses fosse lida também pelos laodicenses (Cl. 4:16). Se a carta era adequada às duas igrejas é porque ambas as cidades ficavam próximas uma da outra, de modo que era razoável que pudessem ser mutuamente influenciadas. O fato é que a influência de ensinamentos baseados na justiça humana, no seio da comunidade cristã de laodicéia, estava impedindo que os crentes pudessem ver, com clareza e com entendimento, o real valor da justiça imputada de Cristo, representada, no texto, pelas “vestimentas brancas”. Assim é que o laodicense, orgulhoso e vaidoso, vivendo religiosamente sob a influência da herança judaica do Velho Concerto, arrotando justiça própria, só poderia dizer:

“Estou rico e abastado, e não preciso de coisa alguma...” (Apc.3:17).

Torna-se fácil concluir que o conselho divino fora dirigido à igreja cristã que se encontrava na cidade de laodicéia. Nenhuma ligação tem com qualquer período de tempo escolhido arbitrariamente.

O Vômito

Esclarecido este último ponto, é mister que nos inteiremos de um fato de importância capital. Por que estava Cristo na iminência de vomitar os laodicenses de Sua boca ? Porque eram mornos. E a que prática a mornidão os levava ? Entre outras, à prática da mentira, pois sendo pobres, diziam que eram ricos. Eram sim, espiritualmente pobres, espiritualmente cegos, e se encontravam em estado de nudez espiritual, já que desprovidos estavam da justiça de Cristo. A falta de “vestimentas brancas” tornava-os arrogantes, presunçosos e exclusivistas. O texto de apocalipse 3:16 aplicava-se,
perfeitamente, à igreja que estava em Laodicéia. Mas os homens perspicazes do adventismo, aqui também, fazem uso incorreto do texto, em benefício próprio.

É curioso verificar que eles vão até o fundo do poço, até as últimas conseqüências, quando analisam o verso dezenove que reza:

“Eu reprendo e disciplino a quantos amo. Sê, pois, zeloso e arrepende-te”.

É quando aproveitam a oportunidade para fantasiar, de todas as cores possíveis, os propósitos divinos para com eles, os laodicenses, como costumam designar-se. Mas, quando se trata do verso dezessete, os ministros agem com cautela e parcimônia, sem qualquer aprofundamento, a fim de que sejam evitas implicações embaraçosas.

O porquê no número 7

Por que exatamente sete cartas, se havia outras igrejas na Ásia ? Diremos que as comunidades cristâs daquelas cidades receberam as mensagens de que necessitavam. Foram palavras de advertência, reprovação, conselhos e estímulos.

Devemos, contudo, levar em conta que o número 7 indica um todo, o que é pleno, completo. Quero crer que as mensagens às sete igrejas eram de tal modo abrangentes, que não podiam deixar de ser, de certo modo, válidas para todas as igrejas da Ásia, como são para cada um de nós, individualmente, nos dias de hoje. Podemos e devemos mesmo extrair delas
aplicações pessoais, como temos feito com relação às cartas de Paulo, Pedro e outros. Não nós convém passar por cima de conselhos como este:

“Aconselho-te que de Mim compres ouro refinado pelo fogo...”

Ou de uma promessa como esta:

“Ao vencedor, dar-lhe-ei que se alimente da árvore da vida, que se encontra no paraíso de Deus.”

O que, todavia, não se pode aceitar, sem contestação, é que se mutile a Palavra de Deus, tirando dela conclusões egoístas para benefício próprio, como fazem alguns.

A promessa é individual

Alegro-me em saber que as promessas contidas nas mensagens às sete cartas são individuais. E nem poderia deixar de ser assim. Por isso, leitor, não faz nenhum sentido uma pergunta como esta:

Para onde irei ?
Há um lugar para onde cada um deve ir, antes de tudo. E esse lugar é o
Nosso interior, onde está a nossa mais pura essência. É aí que Cristo gosta
de se encontrar conosco. E ele mesmo disse:
“Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a Minha voz, e abrir a porta,
entrarei em sua casa e cearei com ele e ele Comigo” (Apc. 3:20).
Experimente ler novamente a passagem, mas agora substituindo alguém por
o que quiser, casa por mente e cearem com ele e ele Comigo por
comungaremos um com o outro, para se certificar mais ainda como é
pessoal o convite que nos vem da parte de Cristo. Veja como fica:

“Eis que estou à porta, e bato; o que quiser ouvir a Minha voz, e abrir a
porta, entrarei em sua mente e comungaremos um com o outro.”

De tudo quanto foi dito nas considerações apresentadas, fica mais uma
certeza: pertençamos a esta ou àquela teologia, as mensagens das Sete
Cartas são como dádivas oferecidas a todos quantos estiverem preparados
para recebe-las, pois são, antes de tudo, pessoais. E não perderam sua
validade, apesar do tempo.


Conclusão

Finalmente, quero destacar o ponto nevrálgico de toda esta questão:

Porque os adventistas criaram uma tão fantasiosa interpretação para as Sete cartas do Apocalipse, baseada em função de tempos proféticos ?

A razão é uma só: Ganhar e segurar o fiel para todo o sempre. E de que Maneira ? Fazendo-o crer que a Igreja Adventista é a igreja de Laodicéia dos nossos dias. E como esta é a sétima e última, dentro da visão de João, da mesma forma o adventismo é o último e único movimento ao qual o pecador pode agarrar-se se desejar salvar-se para a eternidade. È assim que eles constroem uma prisão qual cerca de arame farpado, tecida com fios invisíveis, em torno de cada membro, da qual só por um milagre ele consegue escapar.

No passado, quando me contrariava com alguma coisa que não me parecia correta, dentro da Igreja, usava um sedativo, em forma de palavras, para me acalmar:

Esta é a última igreja. Não tenho para onde ir.

O método é quase infalível. Por isso, os irmãos adventistas, sinceros e de boa fé dificilmente, deixam a sua comunidade. Eles pensam que esta “última” igreja lhes dará o almejado passaporte para o céu.

E assim, enquanto são muitos os evangélicos que se juntam aos adventistas, poucos são estes que se aliam àqueles.
A doutrina do adventismo, frágil como nenhuma, é todavia envolvente. A princípio o evangélico “convertido” à Lei não aceita os escritos de Ellen White como divinamente inspirados. Mas, a partir do instante em que a sua resistência é vencida, torna-se um legalista igualzinho aos outros, com todos os indispensáveis adjetivos.


A VERDADE É COMO A CAMA EM NOITES
DE MUITO FRIO. SÓ INCOMODA NOS PRI-
MEIROS MOMENTOS.


50/51/52/5354/55/56/57/58

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